No sábado dia 28 de Janeiro houve a oportunidade de participar numa visita ao Colégio de Santo Antão, hoje Hospital de S. José, no âmbito do Colóquio de Arroios.

O Colóquio de Arroios realizou-se nos passados dias 26, 27 e 28 de Janeiro no Instituto Goethe. Foram dois dias dedicados ao património e história da freguesia de Lisboa, com o terceiro dia dedicado a visitas guiadas ao património hospitalar e religioso – ambos os temas abordados durante o colóquio.

Colégio de Santo Antão

A visita ao antigo Colégio Real de Santo Antão-o-Novo / Hospital de S. José foi conduzida por Fátima Palmeiro e Carlos Boavida. 

Carlos Boavida e Fátima Palmeiro na Sala da Esfera

A origem do Hospital de S. José remonta ao antigo Hospital de Todos os Santos. Danificado pelo terramoto, o hospital ainda funcionou durante cerca de 20 anos, até ser decidida a sua transferência para o Colégio Real de Santo Antão-o-Novo. O colégio estava disponível após a expulsão dos Jesuítas do territórios portugueses e apresentava melhores condições para albergar o novo hospital, nomeadamente, a sua posição mais alta em relação ao Rossio.

Tecto da Portaria

O Colégio de Santo Antão foi construído pela Companhia de Jesus na Colina de Santana no final do século XVI, tendo sido inaugurado em 1593, embora as obras não estivessem totalmente concluídas. Na construção da Igreja e Sacristia participaram os mestres Baltazar Álvares e João Antunes respectivamente. 

 O colégio veio a desempenhar um papel importantíssimo no ensino em Portugal e, em especial, no campo das ciências. Na sua “Aula da Esfera”, termo que deriva do texto Tratado da Esfera de Sacrobosco, eram ensinados os fundamentos da cosmografia e astronomia, mas também aritmética, álgebra, trigonometria, náutica e temas relacionados com a navegação, geografia, hidrografia, cartografia, engenharia militar e muitos outros. De particular interesse são os azulejos que decoram as paredes da sala da Esfera, com elementos alusivos exactamente aos temas abordados nas aulas. 

Pormenor do silhar de azulejos na Sala da Esfera

Danificada com o Terramoto de 1755, a igreja do Colégio, só viria a ser demolida no final do século XIX. No local ergueram-se os edifícios da Administração do hospital.

Imagem do Hospital com a Igreja em ruínas ainda visível

A capela que hoje integra o Hospital de São José, é na verdade, a Sacristia, desenhada por João Antunes, o mesmo arquitecto que planeou a Igreja de Santa Engrácia (hoje Panteão Nacional). Pela grande dimensão da sacristia, podemos imaginar como seria a Igreja. 

Antiga Sacristia, actual capela do Hospital de S. José
Pormenor do Restauro
Pormenor do Restauro

Curiosamente, três das figuras de bronze que adornam o grande arcaz da sacristia foram pintadas recentemente por uma senhora que queria surpreender o pároco. Felizmente, o trabalho voluntário foi interrompido, a tinta dourada sintética ainda se pode ver na fotografia.

Do Igreja original, resta uma pequeno espaço exclusivo para a Doadora, D. Filipa de Sá, Condessa de Linhares, observar a missa. A sala da tribuna está revestida com embutidos em mármore.

Parede original da Sala da Tribuna

O Hospital de S. José

A decisão de albergar o novo hospital no colégio jesuíta teve em conta não só o facto de possuir enfermaria e botica e o local onde estava implantado, caracterizado como tendo bons ares e vista desafogada, mas também a própria estrutura do edifício, com amplas alas organizadas a partir de largos corredores. Após a transferência dos doentes em 1775, o novo Hospital Real passa a chamar-se S. José, em homenagem ao rei. 

Corredor do Hospital

O hospital conta ainda com uma biblioteca com horário de 2ª a 6ª feira, sem interrupção para almoço entre as 08h30h-17h.

Pormenor da Biblioteca do Hospital de S. José

O património histórico e hospitalar dos Hospitais Civis de Lisboa pode ser visitado mediante marcação. Toda a informação na página do CHULC

O colégio de Santo Antão-o-novo/ Hospital de S. José, reune num só local o âmbito das visitas A Cidade e a Doença e também Lisboa Científica, embora nenhuma delas contemple a visita ao espaço.

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Lisboa Científica

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