Neste primeiro roteiro – do Marquês de Pombal à Praça do Comércio – convidamos todos a percorrer os caminhos das estátuas, a olhar e a dialogar com a escultura, polémica ou consensual e por vezes invisível ao passeante.

Desde tempos antigos que o Homem constrói estátuas como monumentos que evocam um tempo, um acontecimento, um ser. E é isso mesmo o que significam – um objecto para recordar a posteriori, a memória de algo que se materializa através de uma escultura figurativa ou abstracta. Podemos recuar até à Antiguidade Clássica em que a estátua servia o culto da imagem de quem era venerado e queria ser perpetuado ou com intuito religioso e como legado in memoriam.

Os caminhos das estátuas

Pela cidade de Lisboa a estatuária monumental e histórica acompanha o eixo que liga o Terreiro do Paço à Rotunda. Mas nem os conjuntos escultóricos que foram pensados para estes dois pontos da capital conseguiram apagar a “memória” destes sítios nem o porquê da sua nomenclatura. Os séculos XIX e XX foram pródigos nestas construções de uma memória em lioz e bronze e perenes de significados. E isto leva-nos a reflectir sobre intenções (goradas?) de querer mudar ou fazer História com a edificação de uma estátua equestre real ou de um colosso homenageando o Marquês de Pombal.

São muitas as estórias por detrás de uma estátua ou de um busto pensados para o espaço público mas que ficaram esquecidos no tempo. Porquê Rossio quando oficialmente é Praça D. Pedro IV? Ainda se inauguram estátuas? E a intenção será meramente de evocação ou serve ideologias? Ou servirão apenas de poleiro a pombos e gaivotas?

Este “caminho das estátuas” (a expressão é de José Saramago) leva-nos a percorrer, em jeito de peregrinação histórica e estética, vários monumentos e a fazer as leituras possíveis para a sua edificação e o local escolhido. Vamos recuperar o hábito lisboeta de “fazer a Avenida” até à grande praça perante “o rio da minha aldeia” nas palavras de Alberto Caeiro. E não poderemos deixar de deter o nosso olhar no edificado e descobrir detalhes que nos causam admiração pelo excesso ou pela linearidade das formas.

Mas um segundo roteiro perfila-se já no horizonte – do Príncipe Real ao Cais do Sodré. Fica o convite para Abril para seguir novo caminho, agora pela 7ª Colina. Um novo trajecto que permitirá dar atenção aos monumentos escultóricos evocativos de escritores, poetas e heróis do Liberalismo.


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